As dores dos “recém-auto-organizáveis” no aprendizado N para N

Publicado: julho 30, 2012 em Artigos
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Estamos com uma enorme alegria ao ver o NoSummit tomando forma. Temos recebidos vários cadastros de Catalisadores e Pontos de Ebulição. Isso mostra que uma boa quantidade de pessoas indentificaram-se e entenderam a proposta de ser um evento SEM CÚPULAS, que visa construir de maneira colaborativa os detalhes do evento e principalmente, o conhecimento coletivo que será gerado nele.

Contudo, um comportamento curioso começou a surgir em muitas pessoas que se interessaram em ser catalisadores do evento. Desses interessados, recebemos muitos e-mails e tweets de dúvidas sobre:

Me dá mais detalhes sobre o evento? O que eu preciso fazer? Quais são as regras do evento? Como vai funcionar esse lance de Ponto de Ebulição?

Ignorando as possíveis lacunas e deficiências na forma de comunicação de nosso site (principalmente em nossa visão), esse efeito nos chama muito a atenção por se tratar exatamente do mesmo efeito que acontece nas organizações e times que experimentam um modelo baseado em democraria organizacional ou auto-organização.

Para um “recém-auto-organizável”, é comum que ele sinta-se perdido num ambiente democrático e sem alguém que lhe diga detalhadamente: o que fazer, quando fazer e como fazer. Ao longo dos anos me deparei com muitos times nessa situação. Inclusive, já vi e recebi feedbacks do tipo:

“Não estou gostando de trabalhar nesse time – ninguém me diz o que fazer – não sei onde devo trabalhar – não tenho alguém para direcionar minha carreira etc.”

Claro que isso na maioria das vezes é um efeito passageiro, até porque é natural que leve certo tempo para o indivíduo mudar a sua forma de pensar e agir. Muias vezes, essa forma de pensar foi criada e exercitada por longos anos, isso faz com que sua estrutura de sinapses leve certo tempo para se readequar à um novo jeito de resolver problemas do dia-a-dia. Isso é representado pelo fato de que antes, quando surgia algum problema, ele esperava que alguém decidi-se a solução por ele, agora o próprio indivíduo precisa ter a responsabilidade de tomar as decisões necessárias para resolver aquele problema. E isso as vezes não é muito fácil para um recém-auto-organizável.

É possível analisar as origens desse efeito por diferentes dimensões, uma forma de explicar isso, é entendendo que nosso cérebro é um especialista em economizar energia, logo, involuntariamente, ele sempre optará pelo caminho de sinapses que lhe for mais econômico. Nesse caso, pensar, analisar opções, tomar decisões, faz com que o cérebro, muitas das vezes, construa novos caminhos de sinapses. E como isso, em termos de energia, custa caro para o cérebro, ele sempre escolherá o caminho que lhe gere uma maior economia de energia. Para muitos de nós, o caminho mais econômico é esperar que alquém lhe diga exatamente o que fazer para resolver determinado problema.

Essa característica humana, fez com nós construíssemos modelos hierárquicos baseados num modelo de relacionamento 1 para muitos (1 para N). Nesse modelo, somente uma pessoa é detentora do “poder” de tomar decisões no lugar de muitos. Provavelmente, parte disso tenha relação com o modelo educacional que estamos inseridos. Esse modelo estimula o mesmo arquétipo 1 para N no modo “formal de obtermos” conhecimento. Nas escolas, nas faculdades sempre delegamos para alguém a decisão sobre o que aprender, de que forma aprender e quando aprender. Na verdade essa uma questão complexa, pois esse modelo existe há muito tempo e funciona para muita gente. Contudo, será que não é possível vivermos uma outra maneira de construir e obter conhecimento?

Observe que isso não é uma crítica, na verdade é uma constatação de um fato que acontece de forma natural e involuntária conosco. Inclusive, eu mesmo em alguns momentos de minha vida, me flagro buscando ordens e detalhes para executar alguma coisa. Por isso, o mais importante de tudo isso é entender que essa dificuldade inicial existe e, que graças à incrível capacidade que nosso cérebro tem de desenvolver novas (e até infinitas) conexões neurais, é extremamente importante estar aberto e exercitar frequentemente essas novas forma de pensar e de agir.

O NoSummit é uma maneira de você viver uma experiência de construção do conhecimento de forma “muitos para muitos” (N para N) onde todos podem aprender com todos. Nesse modelo N para N, você não somente decidirá o que e como aprender, mas também, você poderá viver uma maneira de você ser um agente ativo e responsável pela construção do conhecimento coletivo.

Para resumir toda essa nossa conversa, é importante destacar que o NoSummit é uma oportunidade de todos nós experimentarmos/exercitarmos ideias como auto-organização, democracia organizacional, melhoria contínua, aprendizado N para N, conhecimento coletivo. Por isso, é importante que você entenda que estamos partindo de uma visão inicial (sem muitos detalhes) e que, sem ter de uma cúpula ou organização central, vamos precisar da ajuda de todos os participantes para evoluir as regras e detalhes do evento, Dessa forma, caso você estava cheio de dúvidas sobre o NoSummit, saiba que provavelmente nós também estamos com as mesmas dúvidas, portanto, se você gostaria de discutir, trocar ideias, opiniões e pontos de vistas sobre um determinado MacroTema, que tal se juntar a nós para juntos montarmos as soluções para as dúvidas de como catalisar um Ponto de Ebulição para esse MacroTema?

Por Manoel Pimentel
@manoelp
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