Existem inúmeras ideias, ferramentas e modelos que, de alguma maneira, visam trazer as organizações para um patamar cada vez mais elevado e refinado de gerenciamento nas suas mais diversas dimensões. Contudo, o mundo do gerenciamento (ou gestão como alguns preferem) vive em constante transformação para tentar fazer com que as empresas tenham resultados melhores.
Na prática, os ambientes organizacionais são deveras complexos (ou até mesmo caóticos), por isso, é comum que sempre exista uma ideia ou ferramenta que acaba sendo considerada como: “o jeito matador de resolver todos os problemas!”. Todos nós, de alguma maneira, somos os responsáveis pela existência das “ideias matadoras”. Essa responsabilidade acontece pois nós queremos e buscamos por ideias que consigam resolver nossas dores. E numa escala mais organizacional, essa busca pelo “Eldorado” do gerenciamento é constante e sustenta uma imensa indústria de empacotamento e venda de ideias matadoras.
As organizações comumente apresentam dores como: “prejuízos“, “medo de ser enganado“, “desconfiança nas pessoas“, “falta de informações para tomar decisões“, “As pessoas cometem muitos erros“, “atraso de respostas ao mercado” e por aí vai. Mas independente de qual for a dor organizacional, sempre praticamos a seguinte regra: Quanto maior a dor, maior e mais completa será a forma de gestão da organização.
Por isso, as organizações tipicamente criam soluções baseadas em ter mais gestores, mais ferramentas, mais controles, mais métricas, mais visibilidade das informações. Mas a grande questão aqui é: Será que precisamos realmente disso? Primordialmente, pergunto isso com o intuito de refletirmos sobre a real necessidade das soluções de gestão. Mas secundariamente, as grandes reflexões são: Será que aquilo que identificamos como uma dor, realmente dói num contexto organizacional? Será que essas “dores” na verdade não são uma parte natural e inerente à complexidade das relações humanas numa organização e, portanto, gastamos uma energia desnecessária ao tentar saná-las?
Infelizmente, não sei a resposta para essas questões! Mas talvez esse pensamento seja de fato uma síntese do sentido da vida: Questionar continuamente o valor e o significado que atribuímos às coisas com o que nos relacionamos.
Voltando ao universo das ideias/ferramentas para solucionar nossas dores organizacionais, muitos são os exemplos que ganham o status de ser a forma matadora de gerenciar. Podemos citar alguns grandes exemplos como: Lean, Six Sigma, 5S, TOC, Auto-Organização, Democracia Organizacional, Multidisciplinaridade, Agile, Scrum, Kanban, PMBoK e além de uma infinidade de outros modelos de governança e metodologias de gestão/execução de algum tipo de trabalho.
Não estou questionando a eficácia dessas ideias/ferramentas, mas permita-me parafrasear John Lennon para explicar o que penso delas:
- Eu não acredito em Lean,
- Eu não acredito em Six Sigma,
- Eu não acredito em 5S,
- Eu não acredito em TOC
- Eu não acredito em Auto-Organização,
- Eu não acredito em Democracia Organizacional,
- Eu não acredito em Multidisciplinaridade,
- Eu não acredito em Agile,
- Eu não acredito em Scrum,
- Eu não acredito em Kanban,
- Eu não acredito em PMBoK,
- Eu não acredito em modelos de governança,
- Eu não acredito em metodologias de gestão/execução
Mas já que eu não acredito nessas coisas, em que eu acredito?
- Eu apenas acredito em mim!
Parece algo meio radical, mas na verdade o “mim” dessa última frase acima, não significa EU, mas sim significa NÓS. Especificamente, ele representa um pensamento que todos nós devemos cultivar em nossas organizações (e em nossa vida de maneira geral). Na prática, esse “Eu apenas acredito em mim!” nos conecta com o pensamento de que devemos buscar e construir nossas próprias ideias e soluções (mesmo que baseadas em ideias matadoras pre-formatadas). Mas construir nossas próprias ideias/ferramentas não é apenas uma questão de “soberania” ou “auto-suficiência”, mas sim, uma forma de construir uma solução mais direcionada e motivada para nossas dores, ou melhor, para dores que realmente importam.
Por isso, caro(a) amigo(a) cúmplice de devaneios, estimulo você a fazer um profundo debug (inspeção) em seus pensamentos e crenças sobre os detalhes da necessidade gerencial em uma organização. Talvez através desse debug você chegue a conclusão que chegou ao fim o sonho de uma ideia matadora e que, na prática, por mais bela que uma ideia/ferramenta possa parecer, é você que será o responsável pelo sucesso ou fracasso em sanar uma determinada dor organizacional.
Para que isso se concretize, é necessário que os gestores quebrem os paradigmas da mera análise de indicadores e foque mais naquilo que realmente faz sentido para uma empresa: os colaboradores.
Enquanto um funcionário for meramente um recurso, e acima de tudo os modelos de gestão da época da industrialização ainda forem aplicados em pessoas, ficará complicado de visualizarmos.
Parabéns Manoel. O post está excelente, em minha ignorância não sei definir se é um problema cultural ou um simples hábito. Mas o que eu mais me preocupo mesmo é como eu estou em relação ao o meio, em que posso influencia-lo e vice versa. Pois sabemos que esse auto-controle pessoal muda uma realidade. =)
Prezados,
Lendo até o 5ºparágrafo, o meu comentário seria assim:
”
@all
Quanto maior e/ou mais complexa uma organização/empreendimento, seus detentores têm a tendencia de adotar uma gestão mais burocrática e fortemente apoiada em estimativas (por causa dos riscos e uma série de outros medos, etc.). Então, tempo e esforços tremendos são usados (vou corrigir o termo: jogados no lixo) para tentar prever, calcular (gerenciar riscos, etc.) gasto e o proprio tempo/execução de um projeto, p/ex. Tempo e esforço que
poderiamDEVERIAM ser usados para entregar um Produto de TOTAL QUALIDADE.Por outro lado, não podemos nos esquecer daquela máxima: é impossível melhorar o que não se pode medir. (melhorar: melhoria contínia, a vibe do CMMi5; medir, a vibe do CMMi4). IMHO, o que é mais realista é mudança/quebra de paradigma, mencionada pelo amigo Anderson, valorizando mais as PESSOAS (em relação a ferramentas/processos), da seguinte forma: dê um voto de confiança ao auto-gerenciamento/-organização, porem medindo o desempenho (i.e.: quantia de valor-agregado entregue ao cliente) e tornando público/visível, para que o proprio TIME se reorganize tomando suas próprias medidas afim de atingir o que se compremeteu a entregar (e isto sem perda de qualidade/valor/ROI); justo o que se pratica no Lean/KanBan (e não podemos deixar de mencionar o BurnDown-char do Scrum)!
”
Entretanto, continuando a leitura, me dei conta do insight que o MPimentel quer nos causar: não existem tecnica/abordagem/processo perfeito(s) se NÃO os ADEQUAMOS às pessoas (que o que mais deve-se valorizar numa organização). P/ex., é aquela velha estória, alguem da empresa vem e fala: “agora vamos adotar uma cuotsmização do RUP!” (Como se ele fosse feito p/ se usar imutável, grosseiramente falando um template para o Processo (da organização).) Para alguns a idéia de uma abordagem/processo DEVER ser personalizada/customizada (adequada às pessoa) é tão essencial/básica/fundamental, porem enquanto as não tiverem uma mudança de cultura (destacada p/ amigo Anderson), isso não vai assimilado e alcançado.
@Pimentel, grato por (+ 1 vez) propiciar-nos fazer um reflexão. Parebéns pelo post!!! ;D